terça-feira, 29 de maio de 2012

Onde anda você

E por falar em saudade onde anda você
Onde andam seus olhos que a gente não vê
Onde anda esse corpo
Que me deixou louco de tanto prazer
E por falar em beleza onde anda a canção
Que se ouvia na noite dos bares de então
Onde a gente ficava,onde a gente se amava
Em total solidão
Hoje eu saio na noite vazia
Numa boemia sem razão de ser
Na rotina dos bares,que apesar dos pesares,
Me trazem você
E por falar em paixão, em razão de viver,
Você bem que podia me aparecer
Nesses mesmos lugares, na noite, nos bares
Onde anda você?



(Onde anda você - Vinicius de Moraes e Toquinho)


quinta-feira, 24 de maio de 2012


Deve ter mais de um ano. Íamos para algum lugar, não me lembro onde, mas me lembro de termos perdido o horário e fomos passear pela Paulista.
Adoro andar por aquelas bandas, sempre se encontra personagens e paisagens inusitadas. 
O movimento constante dos carros, as figuras que por ali transitam, a parada pra tomar outros ares no parque Trianon, um barzinho com mesas na calçada pra cerveja, as exposições nos espaços culturais e na própria avenida.
É tudo muito São Paulo, é bem ali que alguma coisa acontece no meu coração...











quinta-feira, 17 de maio de 2012

Voltando

Devagar vou retomando meus espaços.
Tô voltando pra essa casa, depois de algum tempo, passadas algumas mudanças.
Não enferrujo mais no escritório cinza, daquele prédio cinza, na cidade sem cor. Agora a vida tem mais cor, falta o dinheiro...Escolhas, meu bem, escolhas.
Agora tem ferro no meu sorriso, que anda dolorido, pra daqui a pouco ser um sorriso mais bonito.
Trago também os cabelos mais curtos e me sinto mais leve.
Conheci o paraíso outro dia, o mar era calmo e o céu azul, vou morar lá quando o tempo permitir.
Vi também um Chico, no palco colorido, cantando pra mim, pertinho de mim.
Me descobri na ancestralidade. Me descobri Jupiara, filha de Jupira e neta de Tupã.
Fiz novos amigos.
Estudo bastante, leio muito e quero dividir isso com vocês.
Vocês que talvez passem por aqui, talvez tenham interesse
Talvez não.
De qualquer maneira estou de volta e senti saudades...







sábado, 11 de fevereiro de 2012

As drogas e suas questões - Mário Deganelli

Os motivos pelos quais a pessoa se torna dependente do uso de drogas, sejam elas quais forem (licita ou ilícitas), estão muito mais ligados à falta de recursos – internos e/ou externos – do que às pretensas teorias que as apontam como vilãs-monstros que pode pegar qualquer um de nós. Não estou aqui negando o poder destrutivo das drogas e nem que umas tem mais poder viciante que outras. Estou atentando ao poder irreal e oportuno que se tem dado a elas. Falo em oportunismo porque é muito cômodo e conveniente legar ao dependente a culpa de ter sido fraco diante deste tal poder e ter se deixado capturar por ele numa relação que envolve apenas dois personagens – a droga e o indivíduo.
Em primeiro lugar um indivíduo ser humano, apesar de o termo aludir a isto, não é um ser que se constituiu individualmente; ao contrário, foi através de inter-relações que se formou e chegou até determinado ponto de sua história. Quando digo inter-relações o faço no sentido mais ampliado deste termo, ou seja, desde as relações que foram se estabelecendo em seus meios de convívio social até às que foram sendo estabelecidas com o consumo em geral. Só para explicar melhor sobre o quê estou falando basta pararmos quinze minutos de uma tarde qualquer e acompanharmos a programação das redes abertas de televisão para constatarmos a imensa oferta de soluções e receitas para lidar com os mais variados tipos de situações e problemas do nosso cotidiano – meios para emagrecer (relação mal resolvida com o que se come e com como se gasta a energia adquirida), meios para aprender a se relacionar com o marido, com a esposa, com o vizinho de condomínio, com os filhos, com o animal de estimação, com o sol, com o computador e tantas outras ajudas. Diante disso, fico a pensar se na verdade os seres humanos fracos e doentes são mesmo os dependentes, ou, pelo menos, “só” eles. Quando faço essa experiência, assistindo, inclusive programações que se julgam sérias e científicas tenho a nítida impressão (ou constatação) de que vivemos em uma dita sociedade que não prepara os seus indivíduos para a autonomia e para a responsabilidade em seus atos e escolhas. Ao contrário, parece-me oportuno, volto a falar, que os indivíduos se enxerguem incapazes de conduzir-se por suas próprias escolhas, para que as decisões que se pautam em interesses avessos à sua própria vida não sejam questionados, já que este empoderamento não lhe foi permitido. Daí é que criar monstros fictícios e dar a eles poderes extraordinários torna-se uma artimanha extraordinária. Não há algo ou alguém localizado contra quem lutar... o que há é um ser abstrato indestrutível contra o qual você pode apenas ficar muito alerta, já que a próxima vítima pode ser você ou alguém que você goste muito. E enquanto toda a sua preocupação está dividida entre correr atrás de suprir suas inapetências sociais ou lutar contra titãs maldosos que lhe roubarão a alma, outros grupos de seres humanos, localizados um pouco acima deste “bololô” social, engordam cada vez mais seus patrimônios e poderes de decisão.
Aliás, voltando à questão das drogas, parece-me que na história da humanidade, nunca lidamos de maneira tão imbecil com elas. Em sua imensa maioria as diversas civilizações e grupos de seres humanos que já existiram a usaram para o crescimento e expansão de suas percepções, sendo elas importante fonte alimentadora de conhecimentos e criações. Mas na nossa sociedade pós-moderna-sabe-tudo ela virou caso de polícia e/ou hospício. Vamos começar a falar sério ou vamos continuar tratando destas questões como conteúdos de um programa vespertino televisivo?